Nos últimos meses observou-se nas redes de comunicações a falta de água ou a “crise da hídrica” principalmente na região sudeste do Brasil. Existem fatores temporais, que também são chamados de fenômenos meteorológicos, que ocorreram ou estão ocorrendo principalmente na região sudeste.

Com as análises meteorológicas é possível justificar a falta de chuva devido às atuações de algumas massas de ar (massa tropical continental – MTC, massa tropical atlântica – MTA, massa de ar polar atlântica – MPA) sendo que a MPA nem tão atuante na estação do verão. Provavelmente o que aconteceu através das massas de ar supramencionadas foi à atuação delas. Formando uma espécie de bolsa de ar seco instituindo uma área de alta pressão. Áreas de alta pressão atmosférica são constituídas de ar frio que são dispersores de ventos. Veja na figura abaixo o desenho da bolsa de ar formando instabilidade atmosférica (alta pressão).

Figura 01- Desenho esquemático bolsa de ar.

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Contudo pode-se dizer que ocorreu um impedimento de chegada das massas de ar úmidos na região sudeste. Como por exemplo, a massa de ar equatorial continental – MAC (ventos da região amazônica) que trazem muita umidade para região sudeste, em resumo houve uma dispersão das massas de ar úmido ou uma forma de bloqueio da chegada dessa umidade. Dessa forma ocorreu diminuição considerável dos índices de chuvas e por consequência menos água nos reservatórios.

 Na região metropolitana de Belo Horizonte pode citar o Sistema Paraopeba que consiste em três reservatórios distintos, Rio Manso, Serra Azul e Várzea das Flores, respectivamente localizados nas cidades de Rio Manso, Mateus Leme, Contagem / Betim. Cada um desses reservatórios possui especificidades ambientais em relação ao uso e ocupação do solo. A dificuldade de conciliar desenvolvimento econômico com manejo ambiental é muito difícil. Requerem normas, fiscalização, compreensão, metodologias especificas para cada área em estudo, informação e responsabilidade ambiental de cada munícipe.

Por que fazer menção ao uso e ocupação do solo?

Nesse contexto começa-se a entender a necessidade de manejo ambiental urgente das nossas áreas de recargas hídricas. Surpreendemos com gestão pública quando leis são colocadas em vigor, defendendo o racionamento do uso da água e do uso consciente. Na maioria dessas normas são aplicadas multas ao morador por lavar a calçada ou seu carro e até mesmo sobre taxar o valor da conta de água. Nestas normas fica claramente a ineficiência dos governos por não terem políticas ambientais sérias. Ao invés de concederem programas educacionais de médio e longo prazo visando buscar o equilíbrio ambiental. Tendenciam querer resolver o problema de manejo ambiental com papel e caneta.

Ficamos vulneráveis com a falta ou mudança do regime de chuvas. Esta vulnerabilidade pode ser atenuada desde que programas educação ambiental e de manejo ambiental sejam colocados em prática com objetivos bem definidos visando resultados em médio e longo prazo. Todo município deve ter o uso e ocupação do solo como base para promover a recuperação e o manejo ambiental dos mananciais existentes na bacia hidrográfica pertencentes aos reservatórios. Devendo ser tratada com multidisciplinaridade e com envolvimento da sociedade civil. É necessário direcionar desde a recuperação de áreas degradadas, recuperação de nascentes, novas áreas a serem edificadas, conscientizar quanto a impermeabilização do solo, fiscalizar e fazer valer as normas já existentes. As recuperações dessas áreas devem ser impulsionadas pelos governos. As ações iniciais são de responsabilidade da gestão pública.

Nos três reservatórios do Sistema Paraopeba é fácil observar como que a degradação ambiental das zonas de recarga das águas subterrâneas está sem manejo ambiental adequado. Falta fiscalização, faltam incentivos para quem quer manter os mananciais, para quem quer recuperar a área degradada. Com o aumento populacional a demanda por recursos é maior e o espaço utilizado para sobrevivência é cada vez mais disputado. Sendo assim a complexidade do uso e ocupação do solo para garantir a sustentabilidade humana requer uma readequação dos nossos hábitos ambientais.

Conforme dados divulgados pela COPASA – Companhia de Saneamento de Minas Gerais os níveis dos reservatórios do Sistema Paraopeba estão muito baixos como mostra a figura 02. O que faz refletir o quanto se deve ter consciência em relação ao uso da água.

Figura 02- Nível do Sistema Paraopeba

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Fonte: COPASA, Agosto de 2015.

Os níveis dos reservatórios cada vez mais baixos, o consumo de água não diminui as obras públicas chegando atrasadas, a fiscalização precária, a educação ambiental ainda não é realidade, a recuperação dos mananciais em áreas privadas e públicas quase não se vê. Essa realidade tem que ser discutida com seriedade e muita responsabilidade política e técnica para que tenhamos uma recuperação do déficit ambiental da nossa água.

 

Bibliografia Consultada:

COPASA. Disponível em: <http://www.copasatransparente.com.br/index.php/nivel-dos-reservatorios/> Acesso em: 31 de agosto de 2015.

Geografia para todos. Disponível em: <http://www.geografiaparatodos.com.br> Acesso em 31 de agosto de 2015.

Autor: Edgar Amarante Caldeira Diniz
Ecólogo, Especialista em Gestão Empresarial e Coordenador Administrativo da empresa Licenciar Consultoria Ambiental Ltda. Setembro de 2015.

Acesse o texto em PDF: Reservatórios de Água Sistema Paraopeba – Minas Gerais

One Response to Reservatórios de Água Sistema Paraopeba – Minas Gerais
  1. Ento legal a matria. Comigo o que distruindo minha insonia ai nem me fala sobre dormir bem, passei por situaes bem complicados no trampo e at no meu to problemtico namoro por causa dessa desgraada insonia. O que me melhorou foi um cocho daqueles que relaxam agente pra pegar no sono. Ainda tenho vez ou outra minha insonia se fico muito nervosa , mas a insonia diria diminuiu muito. O lugar que eu comprei esse colcho feito pra insonia foi esse nem sei se colei o link direito. Espero que ajuda mais doidos que nem eu por a. Algum a ja usou esse colcho?


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